A Anatomia do Apresentador

Quando falamos em ORATÓRIA, devemos nos preocupar com a anatomia, ou melhor, com a fisiologia do apresentador. Compartilho com vocês este artigo, que é uma versão comentada do e-book da SOAP  “A Anatomia do Apresentador”. Espero que este conteúdo contribua para seu crescimento como tem feito comigo e com meus alunos. Vamos em frente?

OLHOS

Por ser uma linguagem universal, o olhar conecta as pessoas. Ao olhar nos olhos você já começa a passar a sua mensagem, como por exemplo:

– Eu estou com você, eu me preocupo com você, e assim por diante.

Lembre-se que os olhos podem dizer muita coisa e você poderá utilizar isso como uma arma positiva para atender ainda melhor sua audiência.

Portanto, estabeleça sempre o contato visual com o maior número possível de pessoas. Demonstre interesse genuíno pelo outro, faça com que cada um sinta que você está tendo uma conversa.

Ao olhar para uma pessoa, termine o raciocínio e em seguida, dê uma pausa e volte a olhar para a outra pessoa.

Esta técnica é incrível e poderosíssima.

CABEÇA

Antes de se apresentar, ensaie. Ensaie muito. Leia muito. Tenha muitas horas de voo. Tenha sua história na cabeça para que não precise depender de slides.

Use os dois lados do seu cérebro (Racional e Emocional) ao falar com sua audiência, pois a razão gera entendimento e a emoção engaja.

Use sua memória para guardar exemplos impactantes e os use na hora certa. Se você estiver falando para sua audiência sobre CRISE, talvez você queira contar a história de:

Um vendedor de cachorro quente que tinha muito sucesso em sua cidade. Vendia todos os produtos que levava. Vendia tanto que até conseguiu comprar uma casa bem grande e confortável em um local seguro. Um carro do ano e proporcionou que seu único filho fosse estudar na capital.

Isso sim era sucesso.

Seu filho estudou economia e após se formar já começou a trabalhar na área. Chegando o período de férias ele voltou para casa da família.

Ao chegar perguntou ao pai:

Pai, o que o senhor está achando da crise?

Que crise meu filho?

A crise pai!

O país inteiro está em crise e o senhor precisa estar preparado. Ninguém está vendendo nada.

É mesmo! Você que estudou este negócio de economia deve saber o que está falando. Mas o que eu devo fazer meu filho?

O senhor deve reduzir seus custos para se preparar para a época das vacas magras.

Foi então que aquele vendedor de cachorro quente, na verdade do melhor cachorro quente da cidade começou a comprar o pão em outro lugar, tudo bem que aquele pão não tinha a mesma qualidade, mas era um pão. Diminuiu o tamanho da salsicha, a qualidade do molho, não colocou mais batata palha e assim por diante.

Passado um mês o filho voltou para a capital e o pai seguiu naquela mesma toada. Reduzindo cada vez mais custos.

As vendas foram caindo, as pessoas escolhendo outros lugares para se alimentar.

Seis meses se passaram e o filho volta para visitar o pai, que prontamente lhe agradece:

Obrigado filho por me alertar. Realmente a crise chegou por aqui, mas ta dando para sobreviver.

Historias assim conseguem elucidar recados que você precisaria dar de uma maneira mais seca e direta. Estes tipos de histórias e apresentações especiais, chamamos de METÁFORAS, e elas entram no inconsciente da sua audiência da forma que ela precisa receber.

CORAÇÃO

Apresente com paixão e leve seu coração para o palco. Você só conseguirá ter resultados extraordinários em cima do palco se falar sobre aquilo que você acredita, daquilo que você vive, daquilo que tem mudado a sua vida.

Quanto mais próximo da sua essência você estiver, maior será a conexão com a sua audiência. Abra seu coração com aspectos positivos e negativos. Exponha suas fraquezas e demonstre como está preparado para lidar com elas. Este tipo de resultado motiva quem está lhe assistindo.

Simpatia é diferente de Empatia. Empatia é “ele é como eu”. Simpatia é “gosto dele”.

Na dúvida, opte pela empatia. Ser empático é colocar-se de maneira definitiva no lugar do outro. É despir-se das suas crenças e seus valores e atender a necessidade da sua audiência.

 BOCA

Além de servir para você saborear coisas deliciosas, a boca é uma arma poderosa na comunicação.

Cuide sempre do que você fala (conteúdo) e como você fala (entonação, volume e ênfase).

Experimente alterar o volume da voz e dar ênfase às principais mensagens. Repetição é um prato cheio para o desinteresse. Chamamos este tipo de Orador de carrossel, sim aquele carrossel de parque de diversões. No lugar deste tipo de comportamento sugerimos que seja um orador Montanha Russa (Utilizando altos e Baixos em sua Comunicação), assim sua audiência jamais irá dormir.

Fale com clareza. Comunicação só é eficiente quando a mensagem enviada é igual a mensagem recebida.

NARIZ

Controlar a respiração antes de entrar em cena é fundamental para diminuir a ansiedade que é natural de qualquer apresentação. Esta ansiedade também é ocasionada pelo efeito da Adrenalina, que também possui outras formas de se expressar como mãos suadas, branco, dor de barriga…) Para tanto sugiro que faça como César Ciello, dê leves tapas pelo seu corpo para minimizar este efeito tão poderoso.

Saber o momento certo de dar uma pausa, respirar e retomar o fôlego ajuda a manter-se tranquilo durante uma apresentação.

A pausa entre as frases nos ajuda a minimizar vícios de expressão, né, tá e ok, além de ajudar a sua audiência a processar o que você falou. Estes vícios de linguagem ocorrem principalmente por uma lacuna existente na formulação do seu pensamento.

BRAÇOS

Não se preocupe com o local onde deverá colocar seus braços e suas mãos! Os gestos devem acompanhar naturalmente o que você fala. No entanto se você tiver dificuldade ou ainda não tiver a prática de como fazer isso, sugiro que utilize a técnica de mãos sobrepostas (uma mão vai, volta e para sobre a outra). Nunca coloque para trás pois inconscientemente pode parecer que está escondendo algo. Nunca as suba demais, pois pode parecer pastor, cantor de axé e não um orador. Sempre na altura entre os ombros e a cintura.

Não caia nesta de cruzar os braços, pois pode significar dentre outras coisas, que você está fechado. As vezes pode ser apenas que esteja com frio, mas sua audiência inconscientemente não entenderá desta forma.

Utilize o controle remoto de slides em uma das mãos para ficar livre do seu teclado e não precisar ficar indo e voltando. O controle ou uma caneta também lhe apoiará na busca pela tranquilidade.

PERNAS

São elas que nos mantém em pé o dia todo e sustentam também a nossa movimentação no palco. As pernas devem estar sem simétricas, para assim passar segurança tanto para quem está falando, quanto para quem está o assistindo. Nada de fazer meia bunda, que é aquele movimento que fazemos repetidamente com o intuito de descansar quando estamos de pé., isto sim dá a sensação ao público que você de fato está muito cansado. Nunca cruzar as pernas…

Controle seu impulso de ir de um lado para o outro. Este tipo de Orador intitulo de orador cachorro, que demarca locais no palco e seus movimentos acabam acontecendo apenas nestes locais. Portanto, ancore alguns espaços, ande até lá, fique um tempo e volte para outro espaço.

Você pode até definir espaços físicos no palco, como um lado para representar um personagem e o outro para apresentar seu antagonista.

 

Um beijo, um sorriso e um passo a frente.

20 de fevereiro de 2017

2 Comentários em "A Anatomia do Apresentador"

  1. Dicas valiosas Josi. Obrigada. O problema é que agora começamos a reparar nos outros. rsrs

  2. Topppp demais. Vou reler várias vezes. Gratidão.

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